A reforma do ensino secundário significa desafios para o Brasil

“É a flexibilidade apenas no currículo? Será que as classes serão as mesmas? “A questão do jovem Felipe Lima, graduada recente da Escola Secundária Padre Luis Filgueiras em Nova Olinda, no Ceará, descreve a escala do desafio enfrentado pelo Brasil nos próximos anos: a reforma de O ensino secundário no senai salvador ba terá que ir além de uma reorganização do currículo.

Apresentado como uma Lei Provisória em setembro passado e aprovado pelo Congresso em fevereiro deste ano, a reforma do ensino secundário exige que 60% do currículo seja organizado em torno de assuntos comuns, enquanto 40% devem corresponder a programas educacionais opcionais.

Nesse modelo, estudantes de escolas públicas e privadas poderão optar por ampliar seus estudos nas áreas de linguagem e tecnologia da linguagem, tecnologia de matemática e matemática, ciências naturais e tecnologia de ciências naturais, ciências humanas e sociais aplicadas ou treinamento técnico e profissional , dependendo dos cursos oferecidos pelas escolas.

Professores e Alunos

Embora a proposta ainda gere desacordo entre especialistas, administradores, professores e alunos, todos – ou quase todos – concordam em um ponto: a etapa final da educação básica no Brasil precisa mudar. Durante o Seminário “Desafios Curriculares no Ensino Secundário: Implementação e Flexibilização”, organizado pelo Instituto Unibanco em São Paulo, vários profissionais envolvidos no debate educacional destacam os desafios e as oportunidades da reforma estrutural nessa fase.

O poder de escolher vs desafios estruturais

Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação, diz que, em tal cenário, são necessárias etapas decisivas para estabelecer a educação básica no caminho para o que o país e os jovens precisam. “É inaceitável que ainda consideremos normal que 90% dos jovens terminem a educação básica sem o conhecimento exigido em matemática e 78% sem o mínimo conhecimento em português”, afirma.

Estudos

Mas o que define um bom ensino médio? Para Elizabeth Fordham, consultora sênior de relações globais para educação e habilidades da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um sistema de qualidade deve garantir que todos dominem habilidades cognitivas chave, bem como abordar os interesses dos jovens e preparando estudantes para o futuro. “A reforma no Brasil está em consonância com o que consideramos uma referência para um bom ensino médio”, diz ela.

Enquanto o conselheiro defende a possibilidade de os alunos escolherem seus caminhos educacionais, conforme previsto na lei de reforma do ensino secundário, ela também adverte que também será necessário criar mecanismos para apoiar os jovens na tomada de decisões. “A educação profissional deve estar no centro do processo”, diz ela, afirmando que quase 50% dos estudantes dos países da OCDE participam de programas vocacionais.

Estudante com Livro

Na opinião do jovem Thayane Santos, que acabou de terminar o ensino médio no Ensino Médio do Professor José de Souza Marques no Rio de Janeiro, além da orientação educacional sobre a tomada de decisões, a reforma deve garantir que as escolhas de todos sejam consideradas. “A flexibilidade é uma ideia interessante, mas me preocupa um pouco. Será que minha escolha será respeitada? “, Ela se pergunta.

“Tudo o que espero de qualquer tipo de reforma educacional é que a exceção se torne a regra”, diz Thayane, mencionando que apenas 14% dos jovens brasileiros estão no ensino superior. “Se um jovem decide fazer um curso técnico, é porque eles querem – não porque são forçados. O problema ocorre quando aproveitam a oportunidade para escolher entre nós e nos deixar com apenas uma rota “, afirma.

Oferta de itinerários educacionais

As preocupações de Thayane revelam outro desafio enfrentado pela flexibilização, especialmente considerando que quase 3.000 regiões municipais brasileiras têm apenas uma escola. Neca Setubal, presidente do conselho da Fundação Tide Setubal e GIFE (Institutes, Foundations and Businesses Group), adverte que tais regiões terão de celebrar acordos de parceria e se reorganizarem dentro de estruturas e sistemas de colaboração para que possam oferecer os cinco áreas de graduação.

Estudantes na Sala de Aula

“O aluno tem que ter uma escolha real”, diz ela, explicando que o sistema deve oferecer opções aos jovens em seus itinerários e prepará-los para fazer tais escolhas. Ao mesmo tempo, ela diz que a busca de maneiras de oferecer todos os itinerários educacionais é uma oportunidade para as escolas aprenderem a trabalhar em parceria. “É uma oportunidade para as escolas sair de sua insularidade. Muitas vezes, eles se vêem sozinhos e não se sentem parte de uma rede “.